Querido Irmão Aprendiz, Benjamim dos aprendizes, segundo o registo da Grande Loja, em ti homenageio a semente, a vida, a renovação, o crescimento e a vitalidade da nossa Augusta Ordem.

Querido Irmão Mestre, ancião e decano entre todos os Maçons, segundo o registo da Grande Loja, em ti presto homenagem aos Maçons que semearam, constituíram, sustentaram, credibilizaram e fizeram chegar a nossa Obediência até aos dias de hoje.

Muito Respeitáveis Grão Mestres e Chefes das delegações estrangeiras convidadas.
Muito Respeitáveis Grão Mestres que me precederam.
Representantes dos Altos Graus.
Respeitáveis Grandes Oficiais.
Meus queridos Irmãos em todos os vossos graus e qualidades, presentes e ausentes:
a todos saúdo com um caloroso tríplice abraço fraterno.

A eleição de 21 de Junho último, certificou um ato de imensa vitalidade e respeito pela pluralidade de opinião dentro da nossa Augusta Ordem cumprimento por isso o Irmão, que comigo disputou dignamente essa eleição. Esgotando-se o ato eleitoral nele próprio, proclamo agora que o novo Grão Mestre da Maçonaria Regular Portuguesa desempenhará as suas funções ao serviço de todos os maçons: sem distinções, sem reservas.

Há um só caminho para todos: trabalho, afinco, lealdade, dedicação.

Em tempo útil fiz notícia sobre os meus compromissos programáticos, fortes de unidade, de respeito por todos, de uma candidatura que não estaria ao serviço de ninguém, de exclusivo apanágio de humilde homem livre e bons costumes, por isso não vos falarei novamente sobre o que já foi dito e assumido, se preciso for, aconselho a que releiam.

Jesus Cristo, expoente filosófico fundador das sociedades ocidentais judaico-cristãs, plasmadas nos quatro Evangelhos, deixou-nos inúmeras parábolas repletas de ensinamento absoluto.

Não terei soberba que estabeleça comparações, mas no encalce da sua mensagem universal, hoje, aqui e agora, queria tão somente falar-vos daquilo que considero o princípio fundador da nossa augusta ordem: liberdade com ética.

E falar dela, porque nem mesmo a nossa augusta ordem, nem nada, nem ninguém, está totalmente construído, porque há sempre mais caminho para arquitetar, um outro lado que necessitamos ter à mão, talvez porque sejamos nós mesmos os desconhecidos por quem sempre esperamos, e mesmo que muito humildes nos façamos, apenas as novas pontes que construirmos, nos restituirão inteiros e dignos, abrindo-nos novas passagens que nem acreditávamos existir.

Pugnarei pelo desiderato de colocar mais uma pedra na grande muralha que a nossa Augusta Ordem já edificou, serei apenas mais uma gota que alimenta o rio, porque apenas as gotas são o alimento das grandes correntes, transportadoras do alimento que nos convém: de chuva onde a água pura corre; de gestos amigos ou de amizade entrelaçados; de gritos livres quando são de liberdade; de pão quando nos guiam pela vereda dos dias felizes.

Desenganemo-nos sobre os verdadeiros monumentos, porque eles são apenas de pessoas construídos, tudo o resto que façamos, é energúmena obra física: fria, inerte, imóvel.

E o nosso único monumento, a catedral maçónica, será apenas erguida pela amizade que as nossas vontades partilharem, tudo dentro de cada um de nós.

O ADN com que nascemos, não tem de ser o único rosário que estamos condenados a rezar todos os dias, como se uma grossa corda nos apertasse continuamente o pescoço: outras contas podemos ir esculpindo com os nossos novos passos, livres, e elos de novas cadeias urdir ao longo do fio dos dias, laços de uma imensa cadeia de união, que não param de nos prender a vidas onde semeamos leitos cheios de sentidos: apenas esse outro ADN cujo barro criador só nós próprios podemos amassar, o único capaz de desencadear nos dias primordiais, a ira de todos os invejosos e fúteis deuses, incapazes de suportar uma tão pura fonte de dignidade, que muito além deles nos permitiu advir!

Aos profanos deixemos todas as leviandades e “profanisses”, aos maçons exigimos a verdadeira liberdade, hermeticamente de ética embalada, aquela que constrói aprumados seres livres, justos, de bons costumes, uma liberdade que densifique a condição humana, e que injetaremos nas sociedades do nosso tempo, com a mão fechada e sem luva, sem nada esperar em troca, outra coisa que não seja a libertação permanente.

Porque, diz-nos Eduardo Lourenço, a liberdade tem sempre um preço, ou então não é liberdade! E avisa-nos Saramago, que embora Caim seja o herói do mal por excelência, ele foi muito mais livre que Abel, porque, segundo o relato bíblico, Deus não olhou para ele com a complacência com que olhou para Abel, por isso a Caim, tal como ao maçom, resta-lhe construir-se a si próprio: sempre aprumado. E esta é a história da humanidade inteira, na ordem mais profunda, que é a ordem dos afetos, dos sentimentos, do poder, da liberdade – da nossa própria liberdade. Mas nós, no seio da nossa augusta ordem, unidos, não estamos sós, temo-nos sempre uns aos outros em irmandade fraterna.

Não nascemos maçons, tornamo-nos maçons. E detrás disto há a ideia de que somos os criadores da nossa própria realidade, seja fantástica ou seja a realidade que realiza, por isso cada maçom, no seio da comunidade fraterna de irmãos, é responsável pela sua própria humanização, porque esta não lhe é dada originalmente, ela é fruto de uma luta que edifica a construção permanente: a criação, a luz, a retidão, a separação permanente entre a luz e as trevas. E eu serei convosco eterno guardião.

Somos filhos de um passado longínquo, mas somos também filhos de épocas que fizeram da liberdade um verdadeiro mito já conquistado em várias dimensões. É por isso que no nosso tempo, a liberdade, passou de mera ordem metafísica, para um plano, em que deve afirmar-se como a primeira exigência do maçom moderno.

No famoso tríptico francês – liberdade, igualdade, fraternidade – liberdade era não estar sujeito à tutela do outro, de alguém com direitos sobre nós, que nos nega a nossa condição de sujeitos de nós próprios. Era uma vontade de promoção da nossa essência de seres livres, de traçar o nosso próprio destino, de convertê-lo num novo dogma que funda a verdadeira modernidade, porque o combate pela liberdade, seja em que sociedade for, é uma tarefa sem fim, mas sempre debruada pelas regras que a ética impõe a todos maçons.

Pertencemos a uma ordem com séculos de existência, e por vezes somos levados a pensar que tudo está construído, mas se não continuarmos a colocar pedra sobre pedra, poderão ser outros que nos vêm tutelar, vigiar, controlar, indicar o caminho. O caminho não existe: como nos disse o grande poeta Machado, o caminho é um processo dialético em permanente construção, e cabe a nós esse contínuo desbravamento, assim como a limpeza do caminho já feito até aqui: as ervas daninhas crescem todos os anos, tal uma promessa de pecado original: expurguemo-las todos os dias.

Cícero referiu-se à liberdade dos homens dizendo: “Errar é próprio do homem, mas perseverar no erro é coisa de tolos”, e continua “Somos todos escravos da lei, para que possamos ser livres”. Assim sendo os maçons devem construir-se seres de vontade, por isso a ordem maçónica se distingue de todas as outras, propondo-se atingir fins alcançáveis. O contrário de liberdade, é esse estado de necessidade permanente, uma vontade contrária à vontade que nós próprios definimos, e para essa deriva, nunca contem comigo para nela deixar cair a nossa Augusta Ordem.

Sendo o mal o negativo absoluto, ele pode ser a mais terrível das seduções, aquilo que nos pode perder, por isso meus irmãos, montemos vigilância permanente.

O grande rei Salomão, na plenitude da sua sabedoria, disse-nos: “há sempre um tempo para tudo”, e o meu tempo, se todos quiserem como eu quero, será o tempo da liberdade, uma liberdade sempre embainhada na ética, mas nunca será nada que se compare com balbúrdia: não somos profanos, não teremos por isso atitudes e comportamentos profanos; somos maçons, teremos por isso unicamente atitudes e comportamentos maçónicos.

Dito isto meus irmãos, livremente aprumado, imprimindo pluralidade e diversidade, quero ser o garante da nossa unidade. Darei por isso continuidade a tudo o que de bom já foi feito, e é muito, melhoraremos tudo o que poderá sê-lo, por isso estarei sempre aberto às sugestões de todos, e lançando novamente mão das palavras de Cícero, digo-vos “ninguém será generoso se não for, ao mesmo tempo, justo”.

Muito brevemente comunicarei o quadro dos Grandes Oficiais e toda a equipa de gestão que me vai assessorar. Escolhas que serão feitas em total liberdade, da minha inteira responsabilidade, e porque inexistentes, nunca me deixando agrilhoar por compromissos pré-eleitorais.

Os critérios norteadores da seleção serão tão só: irmãos Mestres Instalados que não estejam em simultâneo a desempenhar o cargo de Venerável Mestre, dedicados, credíveis, competentes, eticamente livres, que perspetivem uma equipa coesa, ao total serviço da nossa Obediência e da Maçonaria Regular portuguesa.

Os membros do Grão Mestrado, depois de jurarem compromisso de cumprir e fazer cumprir o programa que foi sufragado com a minha eleição, aconselhar-me-ão no aprofundamento da nossa estratégia e na aplicação das medidas concretas, sintetizadas no lema: Continuar, cumprindo os Princípios, a consolidar a edificação da nossa Augusta Ordem, a bem da Humanidade, à Glória do Grande Arquiteto do Universo.

Júlio Meirinhos
Grão Mestre

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